Renomada jornalista de coluna econômica da RBS foca a importância da Agricultura Familiar para o desenvolvimento de Canguçu e aponta implicações sobre a distribuição de recursos
A palestra ocorreu no Esporte Clube Cruzeiro, na tarde de 19 de junho. Ana Amélia destacou o quanto é relevante o trabalho dessa agricultura para o desenvolvimento de pequenos municípios, a exemplo, Canguçu, principalmente porque a pequena propriedade é criativa, competente e geradora de recursos, além de produzir no regime da diversificação de culturas.
Também defendeu fortemente os fumicultores, alertando sobre os riscos de movimentos contra essa atividade sob a alegação de danos à saúde, ocultando os reais interesses de outros mercados que desejam a decadência do setor em nossa região.
Ainda, em fala contundente, frisou que é preciso “ver melhor” o atual Código Florestal uma vez que, pela forma que se constitui, cria dificuldades ou impede que agricultores possam produzir ou usufruir devidamente de suas terras. Pelo código, há exageros a ponto de a lei prender agricultor, uma incoerência, segundo Amélia Lemos, pois enquanto isso há bandidos na sociedade que continuam matando e roubando livremente.
Para Ana Amélia Lemos, quanto a essas questões, é possível conciliar desenvolvimento sustentável com atividade rural.
Outro ponto destacado pela palestrante é a agregação de valor dos produtos de origem da agricultura familiar como uma maneira de melhorar as condições econômicas das famílias rurais.
Durante sua palestra, quanto perguntada sobre a Emenda 29 que trata sobre os percentuais a serem aplicados na Saúde, Ana Amélia disse que essa Emenda tramita há anos e prevê a aplicação de 1 milhão de reais aos municípios para o setor saúde mas que, para aprovação dela pelo Governo Federal, existe pressão para que ela seja aprovada se aceita a volta da CPMF, o que Amélia julga incabível, pois não viu melhoria na saúde quando essa contribuição existiu. Ainda salientou que hospitais e instituições de saúde têm dificuldade em prestar serviços pelo SUS porque este paga apenas 60% do valor.
Por fim, a jornalista Amélia Lemos disse que é preciso para o bom desenvolvimento dos municípios a descentralização de recursos federais que, somada à gestão qualificada é possível melhorar as ações das prefeituras. Citou, ainda, que a União fica com 64% dos recursos arrecadados, os estados com 23% e os municípios com apenas 13%, embora tendo cada vez mais responsabilidades administrativas. Para Amélia, essa é a razão pela qual o Governo Federal não realiza a reforma tributária, pois para ele não é conveniente dividir o “bolo”.
Por: Volnei Ceron dos Santos
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